quinta-feira, 20 de julho de 2017

Lula sugere que usará parte da reserva cambial para reverter crise

RESCAMBCHINA
Na minha opinião, o ponto mais importante da ótima entrevista de Lula no programa Na sala do Zé, de José Trajano foi aquele em que, referindo-se aos erros cometidos na política econômica do final do primeiro e no segundo mandato de Dilma Rousseff não permitiram evitar a inversão do ciclo de crescimento econômico, antecipou o que pode vir a ser a espinha dorsal de sua política econômica se eleito em 2018.
Com uma simplicidade de fazer os economistas “sabidos” se indignarem, disse:
– O Brasil tem perto de US$ 400 bilhões em reservas cambiais. Eu pegaria 100 bi e faria investimento em infraestrutura. O pessoal quis cortar aqui e ali, cortar até aposentadoria do pescador.”
Ideia estapafúrdia?
Então olhe só o que os chineses fizeram quando o “dragão” começou a dar sinais de cansaço, no gráfico que posto acima.
Em escala dez vezes maior, fizeram exatamente isso: usaram US$ 1 bilhão dos U$ 4 bilhões que tinham em reservas cambiais e usaram para manter, embora um pouco mais lento, o ritmo ascendente da economia. Desde o in´cio deste ano, com a economia em condições melhores, voltaram a acumular reservas.
É lógico que isso teria de ser antecedido por algum – mesmo que parcial – realismo cambial, dando limites à insana apreciação do real que se fez pensando na “zeragem” da inflação. Alíquotas diferenciadas para a importação de supérfluos e a baixa demanda de insumos importados por uma indústria no fundo do poço evitariam uma retração da também irreal balança comercial brasileira.
(Quem quiser saber como se faz isso, vá ler sobre a Instrução 70, do então Ministro de Vargas, Osvaldo Aranha. Evidentemente, nestes tempos de OMC e cãmbio livre, não pode ser igual, mas há uma linha de pensamento ali)
O investimento estrangeiro direto no Brasil não será, mais do que é, ativador de nossa economia, isto está claro. O investimento sempre teve e tem como nunca de ser financiado pelo Estado, a começar pela recuperação da construção pesada, da indústria – naval, sobretudo – associada ao petróleo e nas estruturas de transporte e logística.
Fora daí é, como disse alguém, “soluço” econômico, como foi a demagógica liberação do FGTS, com efeitos pífios sobre a demanda, arruinando a capacidade de investimento desta carteira e, sobretudo, acabando logo, como acaba esta no mês que já vai para o fim.  Claro que a vamca, que papou daí um R$ 15 bi em recuperação de dívidas, adorou.
Mas se é simples ( e não é, é uma operação cheia de ajustes finos), porque não foi adotada com Dilma e, agora, com Meirelles.
Ora, é simples. Este dinheiro não é, para os neoliberais, para dar estabilidade a um processo de desenvolvimento nacional, mas é apenas um “seguro-solvência” das nossas contas financeira para a hora (e não há “se” nisso) o Brasil quebrar.

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