segunda-feira, 3 de julho de 2017

Moradores do extremo sul protestam contra abandono de obras da Linha 9 da CPTM

GOVERNO ALCKMIN

Construção das estações Varginha e Mendes está dois anos atrasada, e governo do estado não tem previsão para conclusão
por Redação RBA publicado 03/07/2017 16h02, última modificação 03/07/2017 18h11
MAURO SCARPINATTI
varginha
Estrutura da futura estação Varginha, com plataforma central, está totalmente abandonada
São Paulo – Moradores do Jardim Varginha, no extremo sul da capital paulista, protestaram nesse domingo (2) contra a paralisação das obras de expansão da Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Prometida pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), em 2011, a construção das estações Mendes-Vila Natal e Varginha começou em setembro de 2013. Passados 45 meses, tudo que há no local são esqueletos de estações abandonados, restos de moradias desapropriadas, material de construção estragando e estruturas pichadas.
A expansão foi anunciada por Alckmin em junho de 2011, com expectativa de inauguração no final de 2014. Porém, levou dois anos até que a construção fosse iniciada. Todos os imóveis no local foram desapropriados ainda em 2013 e naquele momento calculava-se que em 18 meses a obra estaria pronta, com previsão de entrega para o início de 2015. Hoje, o governo Alckmin não tem previsão para conclusão da extensão da linha, que teria apenas 4,5 quilômetros com expectativa de atender 110 mil passageiros por dia, além dos atuais 600 mil.
O orçamento, previsto inicialmente em R$ 274 milhões, já está estimado em R$ 790 milhões. E o governo deve lançar nova licitação para continuar o empreendimento, já que o contrato assinado em 2013 com os consórcios THS Esmeralda e TSC Linha 9-Esmeralda foi cancelado no ano passado.
A Linha 9-Esmeralda tem 32,8 quilômetros e liga o distrito do Grajaú, no extremo sul de São Paulo, ao município de Osasco, na Grande São Paulo. Percorre praticamente toda a extensão da Marginal Pinheiros, conectando-se com as linhas 5-Lilás e 4-Amarela, do Metrô, além da linha 8-Diamante, da CPTM.
O ramal pertencia à antiga Fepasa e, em 1981, ligava Osasco a Pinheiros. Em 1987, a linha foi estendida até a estação Jurubatuba. Entre 1992 e 2001, a linha foi expandida até Varginha, com quatro estações de madeira e passagem gratuita. O trecho foi então desativado e reaberto em abril de 2008, no entanto, encerrando-se no Terminal Grajaú.   
A auxiliar de serviços gerais Noêmia Viana do Nascimento, moradora do Jardim Casa Grande, há muito tempo espera pela conclusão da obra. “Trabalho na Barra Funda. Todo dia vou de ônibus até o Jabaquara, embarco na linha Azul do Metrô até a estação Sé e depois na linha Vermelha. Levo três horas para ir e outras três para voltar. Com o trem eu iria até Osasco e faria baldeação para Barra Funda, levaria pouco mais de uma hora”, relatou.
“É absurdo isso, pois o governador tirou a verba daqui, colocou em outro lugar e abandonou o povo”, completou, referindo-se à transferência de recursos da CPTM para obras na Rodovia dos Tamoios.
MAURO SCARPINATTIestação varginha
Moradores se reuniram sob chuva e muito frio para reivindicar a retomada das obras
A estudante Sueli Batista, uma das coordenadoras do Movimento Trem Varginha Já, que organizou o protesto, contou que a luta pela reativação do trecho começou em 2010, quando a população começou a se reunir e a cobrar soluções. “O presidente da CPTM nos explicou que, a pedido do governador, os recursos da extensão da Linha 9-Esmeralda foram transferidos para a conclusão de parte da Rodovia dos Tamoios, que serve de ligação com o Litoral Norte. Ele não sabe dizer quando terá outros recursos para concluir esta obra”, afirmou. 
O deputado estadual Enio Tatto (PT), membro da Comissão de Transportes e Comunicação da Assembleia Legislativa paulista, lembrou que em 2010 foi feita uma audiência pública na região com grande participação popular em defesa da extensão. Mas as obras tiveram início somente em 2013 e já foram paralisadas duas vezes. “Eles falam que o dinheiro acabou, mas o que nós detectamos foi que o governo Alckmin, por meio da CPTM, não prestou contas adequadamente para a Caixa Econômica Federal e os recursos foram cortados”, afirmou, referindo-se ao recurso federal de R$ 500 milhões para a obra proveniente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

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