segunda-feira, 17 de julho de 2017

O Brasil ficou pequeno demais com estes dois

hompeq
Trecho da coluna  do ótimo José Roberto de Toledo, O Brasil ficou pequeno:
Corre o tempo, escorre a sorte de Temer. Novas denúncias vêm aí. Com elas, mais detalhes das tenebrosas transações, mais malas de dinheiro, mais noticiário negativo para a turma engolir. Haja pudim. Se sobreviver à primeira, Temer terá chances cada vez menores de sobrevivência nas subsequentes. O planador presidencial dá piruetas enganadoras, sugerindo um voo sustentado, mas quem paira sem motor sempre termina no chão.
Se o destino é previsível, o custo do passeio temerário é crescente e exponencial. Quem há de investir no Brasil se não pode garantir quem ocupará a Presidência daqui a três meses?
A política sequestrou a economia e não vai libertá-la enquanto não se encontrar solução para a crise. Não a deflagrada pelas investigações da Lava Jato, mas a crise de representação. O sistema eleitoral e partidário que perpetua currais dinásticos e multiplica siglas de aluguel é o maior entrave à modernização do Brasil. Reformar a política é mais urgente que qualquer reforma.
Mas não há grupo de interesse agindo para restringir o número de partidos, não há lobby para diminuir a influência do dinheiro no resultado da eleição, não há pato, prêmio ou panela que pressione os políticos a diminuírem seus privilégios. Nem Temer nem Maia nem nenhum interino vai patrocinar essa reforma. Muito ao contrário, são criaturas e criadores desse sistema.
Os dias correm contra Temer, mas não é ele quem paga a conta. Quem perde tempo é o País. Tempo e dinheiro. A economia definha, a receita escasseia. Falta verba para passaporte, para a polícia, para cultura, para aposentadoria. Direitos emagrecem. Áreas de proteção da floresta amazônica encolhem. Tudo se reduz, na mesma proporção da vergonha dos poderosos. O Brasil se condena a ficar do tamanho de seus governantes.

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