Motorista foi detido; atropelamento deixou 19 feridos

CHARLOTTESVILLE — Um polêmico protesto organizado neste sábado por grupos de extrema-direita americanos na Vírginia se transformou em um drama após três carros atropelarem uma multidão de manifestantes antirracismo, deixando ao menos um morto e 19 feridos. O motorista foi detido. Outras 15 pessoas ficaram feridas em confrontos entre supremacistas brancos e pessoas que militam contra o fascismo na cidade universitária de Charlottesville, em Vírginia, deixou ao menos um morto e 19 pessoas feridas.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, um automóvel escuro atinge violentamente a traseira de outro veículo e, em seguida, retrocede velozmente entre os manifestantes. Outras imagens mostram feridos no chão.
O atropelamento aparentemente voluntário aconteceu logo após a proibição da manifestação que teve diversos confrontos violentos, uma situação que levou o presidente americano, Donald Trump, a condenar as ações.
— Condeamos nos termos mais firmes possíveis essa exibição atroz de ódio, fanatismo e violência procedente de vários lados — disse o presidente de Bedminster, Nova Jersey, onde passa as férias. — O ódio e a divisão devem parar agora. Temos que nos unir como americanos com amor à nossa nação.
A declaração de Trump foi feita minutos depois do prefeito de Charlottesville, Mike Signer, confirmar a morte de um manifestantemuerte de un manifestante:
"Estou inconsolável porque uma vida se perdeu aqui", disse Singer, em sua conta do Twitter."Peço a todas as pessoas de boa vontade, vão para casa".
Durante o confronto ocorrido neste sábado, a prefeitura de Charlottesville declarou estado de emergência e, por meio de um comunicado no Twitter, classificou o ato como uma "iminente guerra civil".
As tensões começaram na noite de sexta-feira com uma assustadora marcha realizada pela extrema-direita dos EUA, com militantes bradando discurso de ódio contra gays, negros, judeus e imigrantes. Centenas de homens e mulheres se manifestaram na sexta-feira carregando tochas e fazendo saudações nazistas. Segundo a BBC, um homem que participava do ato chegou a gritar "Sim, eu sou nazista".
O protesto foi descrito pelos participantes como um aquecimento para o ato por eles intitulado de "Unir a Direita", que ocorreu neste sábado na mesma cidade. Os supremacistas brancos que organizaram o evento disseram que a expectativa era de reunir mais de mil pessoas, incluindo os principais líderes de grupos associados à extrema-direita do país.
A cidade, de pouco mais de 50 mil habitantes e a apenas duas horas da capital, Washington, foi escolhida como palco dos protestos após anunciar o plano de retirar uma estátua do general confederado Robert E. Lee de um parque municipal. Durante a Guerra Civil do país (1861-1865), os chamados Estados Confederados buscaram independência para impedir a abolição da escravatura. Atualmente, várias cidades americanas vêm retirando homenagens a militares confederados — o que tem gerado alívio para os que defendem o respeito à comunidade negra, e fúria entre os que manifestam atitudes racistas.

Os participantes do protesto da sexta-feira carregavam bandeiras dos Confederados e gritavam palavras de ordem como: "Vocês não vão nos substituir", em referência aos imigrantes; "Vidas brancas importam", em contraposição ao movimento negro Black Lives Matter; e "Morte aos antifas", abreviação de "antifascistas", como são conhecidos grupos que se opõem a protestos neonazistas.
Estudantes negros do campus da Universidade da Virginia e jovens que se apresentavam como antifascistas tentaram fazer uma "parede-humana" para impedir a chegada dos manifestantes ao destino final da marcha — uma estátua do terceiro presidente americano, Thomas Jefferson.
"Fogo! Fogo! Fogo!", gritavam os manifestantes, de acordo com a BBC, enquanto eles se aproximavam do grupo de estudantes.

Em número bem menor, o grupo que fazia oposicão à marcha foi expulso da estátua em poucos minutos.
A polícia, que acompanhou todo o protesto de longe, interviu e separou os dois grupos, enquanto ambulâncias se deslocavam ao local para socorrer os feridos.
"Esta manifestação é ilegal", afirmou um dos policiais aos manifestantes, que se afastaram, conforme relatou a reportagem da BBC.
Segundo a polícia de Virgínia, alguns participantes foram presos durante o confronto. No entanto, o número exato não foi informado.

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