Deputado federal
chamou governador de 'crápula' e levantou faixa que diz 'Tchau Geraldinho';
governador ainda não comentou ofensas
·
Adriana Ferraz, Eduardo Laguna e Caio Rinaldi, O Estado de S.Paulo
22 Setembro 2017 | 11h56
O deputado Major Olimpio (SD-SP) voltou a protestar
contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB) na manhã desta sexta-feira, 22, na
capital paulista. Alckmin deixava a convenção nacional do SD quando teve a
passagem de seu carro bloqueada pelo major reformado da Polícia Militar que o
"persegue" em agendas externas para reivindicar aumento salarial para
a Polícia Militar. Na semana passada, o tucano já tinha reagido a outro
protesto do parlamentar e dito que seu salário era uma "vergonha".
Major Olímpio faz
protesto contra Alckmin e bloqueia carro de governador Foto: Reprodução/TV
Estadão
No último sábado, 16,
Olímpio fazia um protesto contra o governador em São Carlos, interior
paulista, quando foi chamado de "marajá " por
Alckmin, aos gritos, por receber mais de R$ 50 mil por mês - como
deputado e major aposentado.
Posicionado no meio da rua, Olímpio impediu por
alguns segundos nesta manhã a saída do governador. Com uma faixa nas mãos,
provocou o tucano, que permaneceu dentro do carro sem reação. "Mostra
agora aonde está os R$ 50 mil que eu ganho. Está massacrando o povo de São
Paulo, a população, massacrando a polícia. Covarde!".
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Major Olimpio (SD-SP) volta a fazer
protestos para receber Geraldo Alckmin (PSDB)
Em seguida, aos jornalistas, admitiu receber mais
de R$ 50 mil por mês, mas de renda bruta, não líquida, como diz que Alckmin fez
parecer. E destacou que busca aumento para a categoria, não para ele próprio.
Olímpio afirmou que não pretende deixar o partido, mas que não concorda
com a proximidade do SD com o governo Alckmin.
O deputado não aceitou se sentar à mesa o
governador e ficou de pé, no corredor, enquanto Alckmin discursava. Aos
corregilionários do SD, o tucano afirmou que o grande desafio do Brasil é
emprego e renda. "O País chegou até aqui pela força de trabalho dos brasileiros
e não pela consciência das elites", disse, destacando ser importante o
diálogo permanente com o Solidariedade. O presidente da Câmara, Rodrigo
Maia (DEM-RJ), também participou da agenda.
No fim, Paulinho da Força chamou Alckmin de
"candidato a presidente", Maia de "um dos nomes que podem
disputar a eleição presidencial" e o prefeito João Doria (PSDB) de
"melhor prefeito do Brasil e pré-candidato à Presidência da
República".
AFAGOS
No término do evento, o parlamentar adiantou que o
partido vai dialogar com todas as forças na próxima eleição. "Nosso
partido, que tem força no meio sindical e no meio empresarial, vai conversar
com forças politicas, mas queremos que questões dos aposentados, dos
trabalhadores e do povo sejam observadas."
O trio de convidados teve a oportunidade de
retribuir as gentilezas quando assumiram o microfone para discursar no
auditório do Palácio do Trabalhador, que costuma receber eventos sindicais.
Alckmin, Doria e Maia participaram rapidamente em momentos diferentes da
convenção e, ao menos publicamente, não se cruzaram no local.
"Contem conosco, queremos ter um diálogo
permanente com o Solidariedade para acertar mais e avançar mais. O momento é
difícil, mas a esperança é a palavra", afirmou Alckmin, primeiro dos
convidados a falar.
Já Maia disse ter encontrado muitos amigos do
Solidariedade e, a despeito das diferenças em alguns temas, considerou o
partido um aliado em algumas agendas na Câmara. "O País passa por um
momento difícil na economia e na política, mas nos dá muita esperança quando
vemos um partido novo, com tanta vida como o Solidariedade."
Doria, que discursou já perto do encerramento da
convenção, agradeceu não apenas a Paulinho, mas também ao major, que foi um de
seus adversários na campanha vitoriosa na eleição municipal do ano passado.
"Tivemos uma campanha muito elevada pela Prefeitura de São Paulo",
afirmou o tucano.
"O Brasil precisa gerar empregos e retomar o
crescimento. Para isso, todos precisam ser solidários com o Brasil",
afirmou o prefeito paulistano. "Se retomarmos crescimento, milhões de
brasileiros que estão na rua podem voltar a ter esperança em 2018. Lutar pelo
povo não é lutar pelo populismo", acrescentou.
CRÍTICAS
O evento do Solidariedade não foi, porém, só de
gentilezas. Deputados da sigla e sindicalistas atacaram em seus discursos as
reformas da Previdência e trabalhista, Essa segunda, segundo muitos deles, foi
construída sem diálogo adequado com os trabalhadores e destrói sindicatos.
Numa das manifestações mais contundentes, Kelps
Lima, deputado estadual do partido no Rio Grande do Norte, defendeu o
afastamento definitivo da base de apoio ao governo federal. "Não vamos
mudar o Brasil de braços cruzados com o presidente Michel Temer. Não será a
turma liderada por Michel Temer que vai fazer essa transformação",
disse Lima, após dizer que a reforma trabalhista é "atrasada" e
considerar que a reforma da Previdência pune trabalhadores.
Houve também quem protestou contra a presença de
Doria, lembrando de quando o prefeito chamou de vagabundos, preguiçosos e
pelegos trabalhadores que aderiram à greve geral realizada no fim de abril.
"Doria, chama sindicalista de vagabundo agora", gritou um dos
presentes.
O Palácio dos Bandeirantes foi
procurado para comentar a ofensa do major, mas o Estado ainda não obteve resposta.
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