Privatização da geradora estava prevista para dia
26 de setembro mas o baixo interesse dos investidores fez processo ser adiado
Fátima Laranjeira Renée Pereira,
Impresso
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Setembro 2017 | 23h05
A Companhia
Energética de São Paulo (Cesp) anunciou nesta quinta-feira, 14, que o
Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização decidiu suspender a
venda da estatal, marcada para 26 de setembro. A informação vai constar na
edição do ‘Diário Oficial’ do Estado de São Paulo desta sexta-feira, 15.
Em 3 de agosto o
governo paulista publicou o edital de desestatização da geradora, em que
estabeleceu o preço mínimo, de R$ 16,80 por ação, ou R$ 1,956 bilhão pelos
papéis detidos pelo poder público. As propostas deveriam ser apresentadas na
B3, a bolsa de valores paulista, até a próxima segunda-feira.
Das
3 usinas da companhia, Primavera é a principal Foto: Clayton de Souza
A Cesp é composta por três usinas hidrelétricas,
que somam 1.654 MW de capacidade instalada e cujos contratos de concessão
vencem entre 2020 e 2028. O vencimento das concessões contou muito na hora dos
investidores fazerem as contas. Fontes ouvidas peloEstado afirmam
que o apetite estava muito fraco entre os grupos que potencialmente teriam
condições de comprar a estatal.
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O governo paulista
contava com o interesse dos chineses, especialmente da China Three Gorges
(CTG), que já havia comprado outras usinas da Cesp, cujo contrato de concessão
venceu e foi retomado pelo governo. Mas, segundo fontes de mercado, esse
apetite esperado não se confirmou.
Além disso, o novo cenário,
com o anúncio da privatização de Eletrobrás, fez o governo de São Paulo dar uma
pausa no processo. A expectativa da administração paulista é que haja alguma
mudança que possa beneficiar as usinas da Cesp, afirma uma fonte do setor. Isso
significa que o governo não desistiu por completo de privatizar o que sobrou da
Cesp.
A previsão é que até
o fim do ano haja uma nova decisão sobre a venda da estatal, que já passou por
várias tentativas frustradas de privatização no passado. Até lá, o governo quer
aproveitar o tempo para fazer alguns ajustes técnicos no processo de venda da
companhia. Segundo fontes, no entanto, esses ajustes não vão representar
mudanças radicais em todo o processo.
As
privatizações do presente e do passado que causaram polêmica no Brasil
Negociação. Antes
de decidir pela privatização da geradora, o governo paulista chegou a buscar
com o governo federal a prorrogação do contrato de sua principal usina, Porto
Primavera (1.540 MW), que vence em 2028, visando também a obter um valor maior
para a companhia, mas as contrapartidas exigidas levaram o Estado de São Paulo
a optar por dar seguimento à privatização com os contratos atuais.
No edital de
licitação, o governo incluiu uma cláusula em que o futuro controlador da Cesp
se comprometia a compartilhar com o governo paulista e outros potenciais
vendedores valores adicionais obtidos pela companhia no futuro, como
indenização pelo término das concessões de Três Irmãos, e de Ilha Solteira e
Jupiá.
Trata-se de uma
cláusula conhecida como “earn-out”, que compensa os vendedores em relação a
potenciais lucros futuros, ao mesmo tempo em que estimula o novo controlador a
uma melhora de desempenho.
No
caso de Três Irmãos, por exemplo, a Cesp reivindica o direito de receber R$ 3,5
bilhões (a preço de abril/2013), correspondente ao valor residual contábil do
ativo anotado à época. A União se propõe a pagar R$ 1,7 bilhão (a preço de
2012). /COLABOROU
LUCIANA COLLET

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