
"Na Lava Jato, não há distinção entre juiz e acusação. Moro é juiz e acusador. E é policial também", diz o deputado Wadih Damous (PT-RJ). "Não há dúvida de que ele condena, não precisa ter fatos e provas. Basta a convicção dele", aponta o ex-ministro Eugênio Aragão; leia reportagem de Eduardo Maretti, na Rede Brasil Atual
15 DE SETEMBRO DE 2017 ÀS 06:18 // 247 NO TELEGRAM
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Por Eduardo Maretti, da Rede Brasil Atual
O segundo depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sergio Moro, na tarde desta quarta-feira (13), em Curitiba, seguiu o roteiro esperado, de acordo com os propósitos da Operação Lava Jato. “Aquilo é o script que o Moro está seguindo, o mesmo que a gente já viu na primeira oportunidade: conduzir o depoimento para os objetivos previamente traçados”, diz o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão. “A gente sabe qual o resultado que vai ser dado pelo Moro. Não há dúvida de que ele condena, não precisa ter fatos e provas. Basta a convicção dele.”
O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) também usa o termo que remete ao texto de sequência de diálogos de filme ou peça de teatro. “Em se tratando de Sérgio Moro, é óbvio que o script é sempre o da condenação, pouco importa o que Lula diga ou o que a defesa fale”, afirma. Em julho, o juiz condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. “Moro se submete a rituais previstos no Código de Processo Penal. Que o réu seja ouvido, mas não passa de ritual, apenas para dizer que está cumprindo o que a lei manda. Ele não atua como juiz. No caso da Lava Jato, não há distinção entre juiz e acusação. Moro é juiz e acusador. E é policial também, instrutor do processo”, acrescenta o parlamentar, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ).
Porém, para Damous, a performance de Lula foi melhor do que no primeiro depoimento. “Porque se mostrou senhor do que é esse outro processo, diante de um juiz que ficou com medo de mais uma vez jogar política com ele. Moro joga política, não é juiz. É um ator da política. Mas, dessa vez, Moro ficou no meio termo.”
Na opinião do deputado, possivelmente passou um pensamento pela cabeça do juiz de Curitiba. "Se eu for jogar política com esse cara (Lula), ele vai me massacrar de novo, como na primeira vez.” Só que, ao ficar no meio termo, Moro “acabou se perdendo”, diz Damous. “Lula estava seguro. Ele mesmo tomou a iniciativa de falar do Palocci, não foi instado pelo Moro a falar do Palocci. E deixou mais uma vez claro que é um processo político que não tem qualquer tipo de indício probatório que pudesse levá-lo à condenação.”
Já para Eugênio Aragão, o ex-presidente não estava tão sereno como no depoimento de 10 de maio. “Até com razão. Chega uma hora em que a paciência estoura
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