Há
exatamente 1 ano (13 de setembro de 2016) servidores e estudantes do Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, Campus São Roque
(IFSP/SRQ) e simpatizantes realizaram uma caminhada pelas principais ruas da
cidade para protestar contra a política de corte nos gastos sociais e investidas
que ameaçavam os direitos historicamente conquistados pela população
brasileira. Naquele momento, mais de 300 cidadãos gritaram “nenhum direito a
menos” e questionaram a Proposta de Emenda à Constituição n. 241, a PEC 241.
Esta propunha o congelamento dos gastos públicos pelo período de 20 anos, proibindo
reajuste acima da inflação.
Os avalistas
da PEC 241 argumentavam, na época, que tal medida era necessária em virtude de suposto
descontrole nas contas públicas; que a espera pública já recebia recurso suficiente
e precisava, na realidade, de uma gestão eficiente para administrar o novo
cenário; e que os setores de Saúde e Educação não seriam atingidos pelo
congelamento. Transcorrido 1 ano, presencia-se um quadro diferente daquele
desenhado por seus entusiastas defensores. No IFSP, Campus São Roque vive-se uma
estagnação tendendo-se a um desequilíbrio, atenuada em razão dos esforços da
gestão local. Os uniformes entregues a todos os estudantes dos cursos Técnicos
Integrados ao Ensino Médio (quase 300) cessaram; abortou-se o projeto de
fornecer alimentação a esses estudantes - previsto para iniciar este ano;
escassez de papel sulfite para reproduzir provas e demais atividades; limitação
no uso do Ginásio Poliesportivo devido à economia forçada no consumo de água e
luz; atraso nas bolsas de estudos (iniciação científica e extensão) e auxílio
estudantil; etc.
Mas a penúria
de recursos não limita-se às instituições federais de ensino. Na Educação
municipal, o repasse do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da
Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) diminui mês
após mês levando às autoridades locais a cogitarem medidas como: devolução do
Ensino Fundamental II para a rede estadual; fim do pagamento para os
professores da gratificação assiduidade (20%); impedir o docente de comer
merenda na escola; cortar a cesta-básica dos servidores aposentados; acabar com
o salário-mínimo extra no mês de aniversário do servidor; etc.
Ao mesmo
tempo, a imprensa divulga, semanalmente, escândalos de corrupção envolvendo
políticos de diferentes partidos. O último revelou que o ex-ministro Geddel
Vieira Lima (PMDB) guardava em um apartamento a quantia de 51 milhões de reais
em dinheiro, valor suficiente para financiar diferentes instituições de ensino
(o campus São Roque do Instituto Federal tem um custeio de 2 milhões/ano para
atender mais de 800 estudantes). Também assistimos, enfurecidos, que para
barrar um possível processo de impeachment, o governo de Michel Temer (PMDB)
liberou mais de 2 bilhões de reais em emendas parlamentares para os seus
apoiadores.
Diante
desse cenário de incerteza e indignação, faz-se necessário posicionar contra
essas medidas que representam retrocesso nos avanços sociais que a população
brasileira conquistou desde a redemocratização. Martin Luther King Jr. costumava
dizer que “o que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”. Passamos
por momento de interregno das manifestações, no entanto, esse silêncio pode
colocar em risco o futuro da nação, vide o que testemunhamos na Educação. Dessa
forma, urge a realização de novas ações.
Rogério de Souza, professor do IFSP.
Vídeo sobre a manifestação;
alguns links para contar este acontecimento . clique e veja:
Anúncio do ato:
Matéria sobre o ato:

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