Analisando
o Termo de Referência para a realização do curso pré-vestibular gratuito e a
verba destinada para a concretização dessa ação educativa, algumas conclusões
podem ser inferidas. Primeiramente que no erário municipal sobra dinheiro. A
matéria divulgada pela imprensa local indicou que a prefeitura de São Roque reservou
o montante de 120 mil reais para a efetivação do curso.
Confrontando
essa informação com o Termo de Referência, verifica-se que a proposta da
prefeitura de São Roque seria um curso pré-vestibular realizado aos sábados,
das 8h às 18h20, para 80 estudantes, todos recebendo material didático, com
início previsto para 8 de setembro e término em 15 de dezembro de 2018,
totalizando, assim, 15 encontros. Ou seja, um curso preparatório para os exames
de novembro (ENEM, FUVEST, UNESP E UNICAMP) que iniciará em setembro com aulas
somente aos sábados. “A CONTRATADA deverá prover as aulas da seguinte forma: 12
aulas X 15 sábados + 15 horas (simulados 3 domingos) + 15 horas (plantão
dúvidas) = 210 horas; Horário: das 8h às 18h50; As aulas serão iniciadas no dia
08 de setembro com término previsto para o dia 15 de dezembro.”
Uma análise
superficial desses números revela que cada estudante custará R$ 1.500 e que a
contratada abocanhará R$ 40.000 por mês (3 meses de aula). Quando se compara
essas cifras com a proposta de cursos pré-vestibulares tradicionais da capital
paulista, conclui-se que possivelmente transborde dinheiro dos cofres da
prefeitura de São Roque.
No Cursinho
Henfil, na avenida paulista, o seu curso “Sábado Clássico” custa R$ 1.057
(dividido em até 12 x), para o período de 11 de agosto a 15 de dezembro, incluindo
aulas das 9h às 17h20, Material Didático Digital, acesso grátis ao site
Descomplica, Plantões de dúvidas e simulados. No Cursinho da Poli, para o
período de 28 de julho a 15 de dezembro, a mensalidade custa R$ 333, incluindo
aulas aos sábados das 8h às 19h40, apostilas de todas as disciplinas, material
de redação, material de revisão e simulados.
Num cálculo
rápido, por três meses no tradicional Cursinho da Poli (atende mais de 8 mil pessoas
por ano), para 80 estudantes X R$ 333 (com a utilização de ônibus da prefeitura
para deslocar os vestibulandos até a cidade de São Paulo durante 15 sábados), o
governo de São Roque investiria menos de R$ 80.000 para atender o contingente
indicado no seu Termo de Referência. Mesmo um curso completo (4 meses) no Henfil,
o valor para 80 alunos ficaria abaixo daquele estipulado pela prefeitura.
Também
salta aos olhos as incoerências na redação do Termo de Referência e a falta de
planejamento para realizar essa ação educativa. Na seção que trata dos
profissionais que precisarão ser contratados, não menciona um docente para o
componente curricular de Biologia: “A Contratada deverá empregar um Coordenador
Geral e 10 (dez) professores com jornada hora/aula, que deverão ministrar as
disciplinas de Matemática, Física, Química, Letras, Redação/Interpretação de
Texto, História, Geografia, Sociologia/Filosofia e Comunicação (englobando os
conteúdos de Artes, Educação Física e Tecnologias da Informação e Comunicação).”
Mas a maior
demonstração de ausência de planejamento e desconhecimento das experiências de
curso preparatório para o vestibular, é iniciar as aulas em 8 de setembro. Navegando
pela internet percebe-se que os cursos pré-vestibulares iniciados no segundo
semestre começam as suas aulas no final de julho ou na primeira semana de
agosto.
Esses descuidos pedagógicos e o possível gasto excessivo
provocam questionamentos: Essa proposta de Cursinho Pré-Vestibular beneficiará
de fato os estudantes de São Roque? Por que a prefeitura de São Roque demorou
tanto tempo para iniciar o processo do Cursinho? Trata-se de projeto
sustentável?
Maiores informações sobre os
Cursinhos Populares citados acima:
Cursinho da Poli: http://cursinhodapoli.net.br/web/?lang=pt
Cursinho Henfil: http://cursohenfil.com.br/

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