Do Bom Dia Minas.
Uma das maiores referências em Minas Gerais em paleontologia, Cástor Cartelle, de 80 anos, chamou nesta segunda-feira (3) de “ridículas” as notas que falavam em refazer o acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e propôs que as peças permaneçam destruídas, para lembrar do descaso, abandono e desprezo.
O prédio, na Quinta da Boa Vista, abriga cerca de 20 milhões de itens, dentre eles o fóssil de Luzia, descoberto em Minas Gerais e considerado o mais antigo encontrado nas Américas.
Cartelle é curador da coleção de Paleontologia do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas e tem forte relação com o Museu Nacional. Nascido na Espanha, ele veio para o Brasil em 1957 e estudou no prédio, sobre o qual diz conhecer cada canto.
“Vão ressuscitar 200 anos de história? (…) O melhor era deixar como está, como um monumento do século XXI ao descaso, ao abandono, ao desprezo da ciência e da cultura nacional. Refazer o quê? Duzentos anos de trabalho, de centenas de pesquisadores?”, questionou Cartelle em entrevista ao Bom Dia Minas.
Na noite deste domingo (2), o Ministério da Educação divulgou uma nota na qual afirmou que “não medirá esforços” para auxiliar a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a recuperar o Museu Nacional. O local pertence à UFRJ e é administrado pelo governo federal.
O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, disse que o incêndio é uma demonstração de que a sociedade falhou como um todo, mas que é preciso unir forças para recuperar o que é possível.
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