05/06/2022

Demarcação Já!!!!

 


*Demarcação Já!*


Confira a música "Demarcação Já!", uma homenagem de mais de 25 artistas aos povos indígenas do Brasil. Pelo direito à terra, pelo direito à vida! 


#DemarcaçãoJá


Letra: Carlos Rennó

Música: Chico César


Assista também em: cinedelia.com


*Artistas:*

Ney Matogrosso

Maria Bethânia

Gilberto Gil

Djuena Tikuna

Zeca Pagodinho

Zeca Baleiro

Arnaldo Antunes

Nando Reis

Lenine

Elza Soares

Lirinha - José Paes de Lira

Leticia Sabatella

José Celso Martinez Corrêa

Tetê Espíndola

Edgard Scandurra

Zélia Duncan

Jaques Morelenbaum

Dona Onete

Felipe Cordeiro

Criolo

Marlui Miranda

BaianaSystem

Margareth Menezes

Céu


Com participação de:

Eduardo Viveiros de Castro

André Vallias

Ailton Krenak


https://youtu.be/HnR2EsH9dac

🔴 🏹 *Demarcação Já!* 🏹🔴


_Letra: Carlos Rennó_

_Música: Chico César_


Já que depois de mais de cinco séculos

E de ene ciclos de etnogenocídio

O índio vive, em meio a mil flagelos

Já tendo sido morto e renascido


Tal como o povo kadiwéu e o panará


Demarcação já!

Demarcação já!


Já que diversos povos vêm sendo atacados

Sem vir a ver a terra demarcada

A começar pela primeira no Brasil

Que o branco invadiu já na chegada

A do tupinambá


Demarcação já!

Demarcação já!


Já que, tal qual as obras da Transamazônica

Quando os milicos os chamavam de silvícolas

Hoje um projeto de outras obras faraônicas

Correndo junto da expansão agrícola

Induz a um indicídio, vide o povo kaiowá


Demarcação já!

Demarcação já!


Já que tem bem mais latifúndio em desmesura

Que terra indígena pelo país afora;

E já que o latifúndio é só monocultura

Mas a T.I. é polifauna e pluriflora


Ah!


Demarcação já!

Demarcação já!


E um tratoriza, motosserra, transgeniza

E o outro endeusa e diviniza a natureza

O índio a ama por sagrada que ela é

E o ruralista, pela grana que ela dá;


Hum, bah!


Demarcação já!

Demarcação já!


Já que por retrospecto 

Só autóctone 

E mantém compacta 

E muito intacta

E não impacta 

E não infecta 

E se conecta 

E tem um pacto com a mata


Sem a qual a água acabará


Demarcação já!

Demarcação já!


Pra que não deixem nem terras indígenas

Nem unidades de conservação

Abertas como chagas cancerígenas

Pelos efeitos da mineração


E de hidrelétricas no ventre da Amazônia, em Rondônia, no Pará


Demarcação já!

Demarcação já!


Já que tal qual o negro e o homossexual

O índio é tudo que não presta, Como quer quem quer tomar-­lhe Tudo que lhe resta

Seu território, herança do ancestral


E já que o que ele quer é o que é dele já


Demarcação, tá?

Demarcação já!


Pro índio ter a aplicação do Estatuto

Que linde o seu rincão qual um reduto

E blinde-­o contra o branco mau e bruto

Que lhe roubou aquilo que era seu


Tal como aconteceu, do Pampa ao Amapá


Demarcação lá!

Demarcação já!


Já que é assim que certos brancos agem


Chamando-­os de selvagens, se reagem

E de não índios, se nem fingem reação

À violência e à violação


De seus direitos, de Humaitá ao Jaraguá


Demarcação já!

Demarcação já!


Pois índio pode ter iPad, freezer, TV, caminhonete, voadeira

Que nem por isso deixa de ser índio

Nem de querer e ter na sua aldeia

Cuia, canoa, cocar, arco, maracá


Demarcação já!

Demarcação já!


Pra que o indígena não seja um indigente

Um alcoólatra, um escravo ou exilado

Ou acampado à beira duma estrada

Ou confinado e no final um suicida

Já velho ou jovem ou pior, piá


Demarcação já!

Demarcação já!


Por nós não vermos como natural

A sua morte sociocultural

Em outros termos, por nos condoermos

E termos como belo e absoluto


Seu contributo do tupi ao tucupi, do guarani ao guaraná


Demarcação já!

Demarcação já!


Pois guaranis e makuxis e pataxós

Estão em nós, e somos nós, pois índio é nós

É quem dentro de nós a gente traz, aliás

De kaiapós e kaiowás somos xarás


Xará


Demarcação já!

Demarcação já!


Pra não perdermos com quem aprender

A comover-­nos ao olhar e ver

As árvores, os pássaros e rios

A chuva, a rocha, a noite, o sol, a arara

E a flor de maracujá


Demarcação já!

Demarcação já!


Pelo respeito e pelo direito

À diferença e à diversidade

De cada etnia, cada minoria

De cada espécie da comunidade

De seres vivos que na Terra ainda há


Demarcação já!

Demarcação já!


Por um mundo melhor ou, pelo menos

Algum mundo por vir; por um futuro

Melhor ou, Oxalá, algum futuro

Por eles e por nós, por todo mundo


Que nessa barca junto todo mundo tá


Demarcação já!

Demarcação já!


Já que depois que o enxame de Ibirapueras

E de Maracanãs de mata for pro chão

Os yanomami morrerão deveras

Mas seus xamãs seu povo vingarão

E sobre a humanidade o céu cairá


Demarcação já!

Demarcação já!


Já que, por isso, o plano do krenak encerra

Cantar, dançar, pra suspender o céu

E indígena sem terra é todos sem a Terra

É toda a civilização ao léu


Ao deus­-dará


Demarcação já!

Demarcação já!


Sem mais embromação na mesa do Palácio

Nem mais embaço na gaveta da Justiça

Nem mais demora nem delonga no processo

Nem retrocesso nem pendenga no Congresso

Nem lengalenga, nenhenhém nem blablablá!


Demarcação já!

Demarcação já!


Pra que nas terras finalmente demarcadas

Ou autodemarcadas pelos índios

Nem madeireiros, garimpeiros, fazendeiros

Mandantes nem capangas nem jagunços

Milícias nem polícias os afrontem


Vrá!


Demarcação ontem!

Demarcação já!


E deixa o índio, deixa o índio, deixa os índios lá

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