03/03/2023

Carnaval de rua de 2023: Blocos mandam recados ao prefeito e a secretaria de cultura

 


hoje tem manifesta! 🎷🎺🪘🥁


Blocos e coletivos carnavalescos estaremos às 10h na prefeitura de São Paulo para entregar carta produzida como a partir de reunião de balanço sobre o carnaval de rua 2023 e exigir reunião com prefeito e secretária de cultura sobre a festa popular.

CARTA MANIFESTA À CIDADE DE SÃO PAULO SOBRE O CARNAVAL DE RUA DE 2023 Chegamos na última semana para o início da temporada do carnaval 2023, tão aguardado e já histórico. Os Blocos amanhecem ansiosos, terminando os detalhes finais, afinando as peles de seus tambores. Esta é uma carta não só direcionada à gestão pública, mas também é um chamamento à sociedade civil paulistana, sendo foliões ou não, para diálogo sobre nosso carnaval. Este carnaval será diferente dos demais.
 Difícil de realizar, carregado emotivamente pela saudade dos que perdemos nos últimos anos e banhado de muita disputa. Não é de hoje que nosso carnaval de rua livre, democrático e diverso, como nossa cidade, tem sofrido constantes ataques à liberdade da manifestação artística plural, e hoje isso se acirra, num contexto que fortalece a mercantilização da festa em detrimento aos blocos, verdadeiros fazedores de carnaval. 
Ser o maior carnaval de rua do Brasil não nos interessa. Queremos ser um carnaval alegre, divertido, colorido, pluridiverso, mas sem pretensões de competições sem sentido.
Este ano, em comparação com 2020, o carnaval diminuiu. O número de desfiles oficiais é 25% menor. Isso se deu por diversas razões: dificuldades econômicas enfrentadas no pós-pandemia, falta de encontro e diálogo real com a Prefeitura, falta de antecedência no planejamento da festa. O Edital de Premiação, uma conquista do movimento de carnaval, que ajudaria bastante neste momento de preparação, não virá a tempo para quem desfilará nos próximos dias. 
Queremos enfatizar que número de reuniões não significa comunicação direta e transparente. Das 25 reuniões entre blocos e sub-prefeituras, como relatado na coletiva de imprensa da Prefeitura semana passada, não foram explicados pontos básicos sobre trajetos, localização de banheiros, fechamento de rua, serviços de saúde, gestão de resíduos no detalhamento necessário, e sobraram falas de ameaças, de decisões autoritárias e de mão única sobre horários e trajetos. 
O mesmo acontece com a participação social. A existência de um Comitê Participativo dos Blocos de Carnaval não significa que houve escuta real, uma vez que sua convocação ignorou deliberadamente a existência de coletivos carnavalescos consagrados, organizados e substancialmente representativos do nosso carnaval. Não houve explicações a contento sobre os critérios de composição desse Comitê, nem respeito aos convocados, que foram informados sobre seu caráter não deliberativo (caráter consultivo) e, ao mesmo tempo, foram responsabilizados em “trazer demandas dos Blocos”, sem nem lhes fornecer uma mínima lista de contatos dos inscritos.
Mesmo com todas as boas intenções dos 10 Blocos convocados, não cabe a esse “Comitê Consultivo” deliberar sobre a proibição de desfile de Blocos com inscrição tardia, nem mudanças impensáveis de trajetos tradicionais, nem da criação pela PM de “cercadinhos de presunção de culpa” dos foliões paulistanos. Casos como o Megabloco Tarado Ni Você, e o tradicional Kolombolo precisam da mediação e responsabilidade da Secretária de Cultura Aline Torres. Usar o Comitê de Blocos, que nasceu propositalmente desarticulado, para se ausentar de sua responsabilidade, é colocar Blocos contra Blocos e não permitiremos isso. 
Todo este entrave coloca em questão o próprio cadastramento, que nasceu como algo voluntário e ao longo do tempo se torna um instrumento de controle e cerceamento do carnaval livre, passando a ser compulsório e sujeito a penalização e judicialização dos blocos. Este processo sufoca a espontaneidade e a imprevisibilidade, que fazem parte da cultura carnavalesca.
Carnaval de Rua não é Virada Cultura, não é Reveillon, também não é, mas dialoga com o Carnaval do Sambódromo, ao qual fazemos um aceno e enviamos nosso Axé. Carnaval de Rua é feito por nós: blocos e foliões. Usar o molde da gestão destes outros eventos é insuficiente para abarcar a complexidade da cultura popular. 
O que vemos é a completa incapacidade da gestão da cidade em perceber isso e propor um modelo próprio e inteligente para o Carnaval de Rua. Blocos e foliões são o coração da festa e é a partir de nós que essa festa deve ser construída. Nos preocupa o atraso absurdo das campanhas de conscientização sobre saúde, assédio e segurança para todos os corpos, além da falta de políticas de mediação de impactos negativos na cidade, que seriam mitigadas com soluções simples, como distribuição de água gratuita, parceria com catadores e amparo a pequenos comerciantes. 
Ao Prefeito Ricardo Nunes: 
Notamos na coletiva que foram mencionados em agradecimentos: a equipe da prefeitura e aos patrocinadores múltiplas vezes. Nenhuma menção de agradecimento a quem de fato constrói a festa: os Blocos! “Assim não, né prefeito?”. 
À Secretária Municipal de Cultura Aline Torres:
 Em abril de 2022, a senhora acusou os blocos de irresponsáveis e encerrou sem solução uma reunião no Centro Cultural Vergueiro. Não houve nenhum tipo de incidente no carnaval de rua fora de época do ano passado. A senhora conhece os coletivos que reúne blocos, tem conhecimento sobre a Frente Parlamentar em Defesa do Carnaval de Rua. E optou por não nos atender, não dialogar. É mais fácil um jornalista falar com a senhora do que um organizador de bloco. Não queremos estar em lados opostos, não é de nosso interesse, e não é bom para a Cidade de São Paulo. 
À Cidade de São Paulo: Precisamos de vocês. Confiamos em vocês. Fazemos carnaval com vocês. Estaremos finalmente juntos, juntas e juntes celebrando nossa cidade, que um dia foi chamada de túmulo do samba, que sofre imensamente com a desigualdade crescente e com o período pandêmico e que ainda não acabou, mas que vai dando trégua. Vamos nos unir em nossa diversidade, festejando a vida e cuidando da cidade. Seremos o sorriso que a boca não consegue esconder, seremos a música que não conhece fronteiras, seremos as cores mais diversas de uma cidade que um dia foi chamada de cinza. Viva nosso Carnaval de Rua Livre!

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