21/03/2023

Empresa contratada pela prefeitura de SP dá calote em trabalhadores terceirizados

 


do site da CUT

Sem receber as verbas rescisórias, vigilantes demitidos protestam com frequência na sede da empresa Centurion

 

 Publicado: 21 Março, 2023 - 15h05 | Última modificação: 21 Março, 2023 - 15h13

 

Escrito por: Gabriela Moncau Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Embaixo de sol quente, dezenas de trabalhadores se aglomeraram durante toda a manhã 

desta segunda-feira (20) na calçada da rua Alvarenga, na zona oeste de São Paulo, em frente 

à empresa Centurion Segurança e Vigilância Ltda. Não é a primeira, nem a segunda vez. O protesto 

é frequente desde o início do ano, quando a empresa parou de pagar as verbas rescisórias que 

deve aos 384 funcionários demitidos em novembro de 2022. 

 

"Está cada vez pior a situação para a gente, está desesperadora", afirma a vigilante Vânia Almeida, 

que trabalhou durante 14 anos para a Centurion. "Somos pais e mães de família que trabalhamos 

nessa empresa, demos nosso sangue. E agora o que a gente escuta é isso: 'não temos dinheiro 

para pagar vocês'. Todas as contas atrasadas, gente. A gente tem filhos, ninguém espera", 

indigna-se.

 

Depois de prestar serviço durante cinco anos para a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) de São Paulo, a Centurion não ganhou a licitação feita 

no fim de 2022 e teve o contrato encerrado. Os trabalhadores foram mandados embora e, 

segundo contam ao Brasil de Fato, a empresa alega não ter dinheiro para pagá-los. 

 

Fundada em 1992, a Centurion tem um capital social de R$6 milhões. O quadro societário é 

composto por Anderson Moreira da Silva e outro CNPJ, também em seu nome: a Centurion

 Serviços Ltda, que tem, por sua vez, capital social de pouco mais de R$3 milhões. O 

diretor da empresa é Sergio Toledo. 

 

Dos seus 58 anos de vida, Damião Ribeiro passou 22 trabalhando para a companhia dirigida 

por Toledo. Das 10 parcelas de verbas rescisórias que deveria receber, chegou apenas uma, em dezembro do ano passado. 

 

"Estamos lutando", diz Damião. "A gente está vindo aqui quase diariamente", conta, em frente 

ao imóvel onde se vê a placa "Grupo CT" atrás do portão fechado. "Semana passada eu vim 

na segunda e na terça. Eles prometem que vão pagar e não cumprem", expõe.

 

Acordo ignorado

 

Com mediação do Sindicato dos Empregados em Empresas de Vigilância, Segurança e Similares 

de São Paulo (SEEVISSP), a Centurion assinou, em dezembro de 2022, um acordo de que

 pagaria as verbas rescisórias em parcelas mensais. 

 

Glaucia Maria dos Santos, depois de trabalhar 12 anos na empresa, deveria receber seis parcelas 

de R$2300. Até agora, vieram apenas duas. "Parece que a escravidão continua a mesma coisa",

 aponta.

 

"O acordo homologado foi mal feito, da forma deles, a gente não tinha opção e aceitou",

 avalia Vânia. Mesmo assim, não é cumprido. O que a empresa tem feito é uma lista dos

 que protestam na porta e paga apenas para alguns deles. 

 

Foi o que a reportagem testemunhou na manhã desta segunda-feira (20). Depois de se reunir

 com um grupo de cinco pessoas entre os quase 60 que se manifestavam aos gritos de

 "queremos receber", a Centurion se comprometeu a pagar, naquele mesmo dia, as parcelas 

vencidas de 20 dos ex-funcionários que estavam ali na rua, os que chegaram primeiro. No dia 

seguinte, de outros 20, até quitar as dívidas com os presentes na manifestação. Dos 330 

trabalhadores restantes, nada se falou.

 

Empresa em silêncio

 

Até o fechamento desta matéria, nenhum dos 20 primeiros trabalhadores a chegar no ato 

havia recebido nada. O Brasil de Fato pediu para falar com João Carlos Vieira, gerente de

 recursos humanos ou com Fernando de Souza Gomes, gerente operacional, ambos os

representantes da empresa na negociação. Eles se recusaram a falar com a imprensa. 

 

A SMADS informou que "cumpriu com todos os pagamentos" previstos no contrato com 

a empresa Centurion, em vigor de novembro de 2017 a novembro de 2022. Durante esse 

período, segundo o órgão da prefeitura, "a empresa apresentava a comprovação da 

regularidade trabalhista à SMADS".

 

O sindicato disse ter a intenção de resolver a situação de forma administrativa, por ser mais 

célere que a judicial. Se optarem por recorrer à justiça, informou o SEEVISSP, os t

rabalhadores terão de fazê-lo de forma individual. 

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