do site da CUT
Operação do Ministério do Trabalho, Polícia Rodoviária
Federal e MPT flagrou trabalhadores de uma linha de transmissão em alojamentos
insalubres, sem ventilação. Trabalhadores eram das regiões Norte e Nordeste
Publicado: 06 Abril,
2023 - 11h33 | Última modificação: 06 Abril, 2023 - 12h34
Escrito por: Redação CUT
Uma fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE),
realizada nos dias 29 e 30 de março em uma frente de trabalho do Consórcio
Construtor Linha Verde na região de Governador Valadares, em Minas Gerais,
resultou no resgate de 110 trabalhadores em condições análogas à escravidão em
uma linha de transmissão de energia. O caso foi divulgado somente esta semana
após o pagamento das rescisões dos trabalhadores, valor que ultrapassa os R$
752 mil.
A operação, que contou com a participação da Polícia Rodoviária
Federal (PRF) e o Ministério Público do Trabalho (MPT), flagrou os
trabalhadores em alojamentos inadequados, em condições insalubres. Do total, 78 foram encontrados em um galpão
sem ventilação adequada e os demais (32) em um imóvel sem janelas, ‘com calor
muito forte, conforme afirmou o auditor-fiscal do trabalho, Marcelo Campos, à
Folha de São Paulo.
“Não havia janelas. O calor era muito forte. Os
trabalhadores não conseguiam dormir”, disse Campos à reportagem.
Ao todo, o MTE auditou seis alojamentos - hotéis, casas
alugadas e o galpão - utilizados como alojamentos para uso dos funcionários.
Todos os trabalhadores resgatados são de estados do Norte e
Nordeste do Brasil. A previsão é de que voltem para seus estados de origem. No
entanto, segundo a empresa, cerca de 70 trabalhadores têm interesses em serem
recontratados.
Em nota, a empresa alegou ‘dificuldades naturais’ para este
tipo de obra, que exigiria alojamentos improvisados dada a localização remota e
com poucas estruturas. O consórcio, formado pelas empresas Toyo Setal e Nova
Participações, ainda na nota, contesta a classificação de trabalho escravo.
Explosão de casos
A notícia confirma a previsão do ministro do Trabalho e
Emprego Luiz Marinho, de que o número de trabalhadores resgatados este ano, que
já é recorde, pode aumentar vertiginosamente, já que as fiscalizações se
intensificaram no governo Lula.
“O ano de 2023, se continuar nessa velocidade’, poderá
registrar “um terrível recorde”, afirmou Marinho em referência ao número de
trabalhadores resgatados até agora, mais de 1.100. Nesta quinta-feira (5), foi
divulgada a atualização da Lista Suja do Trabalho Escravo, com a inclusão de
132 novos nomes, entre empresas e pessoas físicas, flagrados explorando mão de
obra análoga à escravidão.
Marinho afirma que é de suma importância dar publicidade à
lista de empresas que usam trabalho análogo à escravidão. “Aqueles que forem
flagrados fazendo uso de mão de obra análoga à de escravo, devem ser
devidamente responsabilizados”, frisou.
Ainda de acordo com ele, o Ministério tem buscado um
entendimento nacional de conscientização dos empregadores voltado à erradicação
do trabalho análogo ao de escravo. “Somente este ano já foram mais de mil
resgates de trabalhadores nessa condição, nos três primeiros meses do ano.
Vamos produzir um entendimento para que esses casos voltem a cair e possamos
erradicar o trabalho análogo ao de escravo no Brasil”
O que é trabalho análogo à escravidão
De acordo com a classificação do MTE, considera-se trabalho
realizado em condição análoga à de escravo a atividade que resulte das
seguintes situações:
- Submissão de trabalhador a trabalhos forçados;
- Submissão de trabalhador a jornada exaustiva;
- Sujeição de trabalhador a condições degradantes de
trabalho;
- Restrição da locomoção do trabalhador, seja em razão de
dívida contraída, seja por meio do cerceamento do uso de qualquer meio de
transporte por parte do trabalhador, ou por qualquer outro meio com o fim de
retê-lo no local de trabalho;
- Vigilância ostensiva no local de trabalho por parte do
empregador ou seu preposto, com o fim de retê-lo no local de trabalho; a posse
de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, por parte do empregador ou
seu preposto, com o fim de retê-lo no local de trabalho.

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