Categoria reivindica ainda a retomada do poder de voto pelo
governo federal, o fim do desmonte do Cepel e em defesa dos fundos de pensão
dos trabalhadores. Ato será na segunda-feira (5), às 11h, no Rio
Publicado: 02 Junho,
2023 - 09h27 | Última modificação: 02 Junho, 2023 - 09h37
Escrito por: Rosely Rocha
Desde que a Eletrobras foi privatizada no ano passado pelo
governo anterior, apesar das denúncias de prejuízos aos cofres públicos com a
venda abaixo do preço de mercado, que os seus trabalhadores e trabalhadoras vêm
lutando contra os ataques da atual direção em seus direitos, além do desmonte
de setores fundamentais para o bom funcionamento da empresa e do atendimento à
população.
Diante do atual quadro da empresa os eletricitários
decidiram fazer um ato público na próxima segunda-feira (5), a partir das 11h,
em frente à sede da Eletrobras, no centro do Rio de Janeiro.
A pauta de reivindicações é:
- Em apoio à ação da
União pela retomada de poder de voto na Eletrobras;
- Contras as demissões e o desmonte do Cepel e;
- Em defesa das Fundações do Sistema Eletrobras.
Felipe Araújo, diretor da Associação dos Empregados de
Furnas, empresa do holding da Eletrobras, explica os motivos desses três pontos
estarem na pauta de reivindicações.
Sobre os votos da União: O governo brasileiro tem a maioria
das ações, quase 43%, no entanto, seu poder de voto é de apenas 10%. Com isso,
mesmo que a posição do governo seja contrária a alguma medida da atual direção
da Eletrobras, pode perder. Isso ocorreu recentemente quando o governo Lula
quis manter a representação dos trabalhadores no Conselho de Administração, mas
foi voto vencido. É de responsabilidade do Conselho de Administração
reorganizar e reestruturar a empresa, pode barrar demissões em massa, entre
outras demandas.
O dirigente conta que no último dia 30 de maio
(terça-feira), os trabalhadores entraram com uma consulta à Comissão de Valores
Mobiliários (CVM), para que a Eletrobras respondesse ao mercado sobre a
proposta que circulava na imprensa, de aumento de cadeiras no Conselho
Administrativo a serem ocupadas pelo governo federal. Isso segundo Araújo,
seria uma forma de tentar diminuir a pressão que a direção da Eletrobras vem
sofrendo para que a União retome o seu direito de voto de acordo com o número
de ações que possui.
No dia 5 de maio, a Advocacia-Geral da União (AGU) ajuizou
ação, subscrita pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, com
pedido liminar requerendo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para a declaração
parcial de inconstitucionalidade de dispositivos da regra que proíbe que
acionista ou grupo de acionistas exerçam votos em número superior a dez por
cento da quantidade de ações em que se dividir o capital votante da empresa.
“A proposta da empresa em aumentar em duas, quatro cadeiras
não garante o percentual de votos na assembleia de acionistas, ou mesmo no
conselho e isso que queremos, que o governo possa ter maior influência nas
decisões da empresa, proporcional às ações que possui”, diz Araújo.
O dirigente critica ainda a forma como essa notícia foi divulgada aos acionistas por meio da
imprensa, como informações de bastidores, sem nenhuma transparência. Cabe,
portanto, a suspeição de que por meio de sua assessoria de imprensa, contratada
a peso de ouro, a Eletrobras tentou criar uma narrativa junto aos veículos de
comunicação.
“O fórum adequado de decisão de aumento ou não de cadeiras
no conselho é a assembleia dos acionistas, e nós como funcionários somos
acionistas minoritários e, por isso fizemos essa provocação à CVM, e a direção
teve de voltar atrás, ‘desmentindo’ a notícia,
ainda que fosse sua real intenção”, conta.
As demissões e o desmonte do Cepel. Ainda este ano, a
direção prevê a demissão de 20% dos trabalhadores das empresas do grupo
Eletrobras. Para isso propôs um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV).
Segundo Araújo, o enxugamento do quadro dos funcionários está adoecendo quem
fica e provocando acidentes de trabalho como queimaduras, especialmente em quem
atua na manutenção e nas operações de infraestrutura, subestação, transmissão e
geração de energia.
“Um dos setores que deve sofrer com o corte é o centro de
serviço compartilhado que será totalmente transferido para Recife [PE]. Isso
força um trabalhador lotado na região Sudeste a aceitar o PDV. Somente no Rio
serão mais de 400 funcionários prejudicados”, conta.
O último Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), da categoria foi
mediado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), que permitiu que a Eletrobras
demitisse até 20% do seu quadro pelo PDV no ano passado e outros 10% neste ano.
Os eletricitários sempre defenderam o Centro de Pesquisas de
Energia Elétrica (Cepel), o maior de energia elétrica da América do Sul. O
Cepel é responsável pelo desenvolvimento e manutenção de cadeias de software de
grande importância, como para operação do Sistema Interligado Nacional (SIN)
utilizado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), assim como para determinação
dos preços da energia, pautado na eficiência do sistema e minimização do custo;
além daqueles destinados ao planejamento, entre outras funções. A atual direção
está fechando o Cepel
Em defesa das Fundações do Sistema Eletrobras. Segundo
Felipe Araújo, a atual direção da Eletrobras quer mexer nos fundos de pensão da
aposentadoria dos trabalhadores cujo valor hoje gira em torno de R$ 44 bilhões.
“Eles têm um projeto de unificar todos os fundos de pensão.
Uns são deficitários e outros não. O problema está em ter um banco controlador
e um fundo de investimento com grande capilaridade, cujos ativos são de difícil
rastreamento, havendo o risco até de se mascarar um furo contábil como o caso das lojas
Americanas”, denuncia.

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