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Cientista político atribuiu nota 7,8 ao presidente, contra 7,0 de Flávio Bolsonaro, e apontou recuperação de Lula ao longo do confronto, com vantagem nos três últimos blocos
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve desempenho superior ao do senador Flávio Bolsonaro (PL) no último debate presidencial da TV Globo, realizado na sexta-feira (23), segundo análise do cientista político Antonio Lavareda. Em sua avaliação dos quatro blocos do confronto, Lavareda atribuiu média de 7,8 a Lula e 7,0 a Flávio, apontando vantagem do presidente em três dos quatro segmentos do programa.
“Lula venceu o debate por margem clara, embora não esmagadora”, afirmou Lavareda em sua análise. Segundo o cientista político, Flávio começou melhor, com pequena vantagem no primeiro bloco, mas Lula conseguiu se recuperar a partir do segundo e ampliou a diferença na etapa final.
O levantamento de Lavareda atribuiu as seguintes notas aos candidatos:
| Bloco | Lula | Flávio Bolsonaro |
|---|---|---|
| Primeiro | 7,1 | 7,4 |
| Segundo | 8,0 | 6,9 |
| Terceiro | 7,8 | 7,3 |
| Quarto | 8,4 | 6,3 |
| Média | 7,8 | 7,0 |
A maior diferença ocorreu no quarto bloco, quando Lula recebeu nota 8,4, contra 6,3 de Flávio Bolsonaro.
Lula cresceu ao longo do debate
Na avaliação de Lavareda, o presidente apresentou uma trajetória de recuperação durante o confronto. Começou um pouco irritado, teve dificuldades para administrar o tempo e nem sempre respondeu diretamente às perguntas, mas melhorou seu desempenho a partir do segundo bloco.
Nesse momento, Lula passou a associar sua trajetória pessoal às políticas sociais de seu governo, apresentando realizações nas áreas de renda, crédito, educação e regulamentação das apostas.
O presidente também conseguiu levar Flávio a reconhecer um erro em votação relacionada à licença-maternidade e a pedir desculpas pela provocação envolvendo a expressão “nove dedos”, referência ao acidente de trabalho em que Lula perdeu um dedo da mão esquerda.
Segundo a análise, esses episódios contribuíram para a recuperação do presidente e para sua vantagem na segunda metade do debate.
Caso Ana Clara foi o momento mais forte de Lula
Lavareda identificou no confronto sobre o caso Ana Clara o momento mais importante da participação de Lula.
O presidente questionou Flávio Bolsonaro sobre sua defesa de um policial acusado de atirar em uma criança de cinco anos. A pergunta, segundo o cientista político, colocou o senador em uma posição defensiva.
Na avaliação de Lavareda, Lula conseguiu combinar autoridade, experiência e preocupação com a proteção das vítimas, enquanto Flávio demonstrou tensão ao responder ao questionamento.
O senador também errou o nome da mãe da criança e insistiu na inocência do policial que havia defendido, comportamento apontado pelo analista como seu pior momento no debate.
Flávio mostrou preparo, mas perdeu força no final
O cientista político reconheceu que Flávio Bolsonaro apresentou desempenho mais disciplinado e preparado do que no debate anterior.
Seus melhores momentos ocorreram nas discussões sobre preços dos alimentos, endividamento das famílias, juros, segurança pública e retomada de territórios dominados pelo crime organizado.
Lavareda observou ainda que o senador conseguiu produzir frases simples, com potencial de circulação nas redes sociais.
Entretanto, a avaliação aponta que Flávio perdeu força pelo excesso de bordões, pela utilização de informações imprecisas, pela falta de detalhamento de sua proposta de “tesouraço” e por manifestações de deboche.
O contraste ficou mais evidente no último bloco, quando o desempenho do senador caiu para 6,3, enquanto Lula alcançou sua maior nota, 8,4.
Debate ocorreu às vésperas de eleição apertada
A avaliação de Lavareda ocorre em um cenário de equilíbrio na disputa presidencial. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22) apontou empate entre Lula e Flávio Bolsonaro, com 50% dos votos válidos para cada candidato.
O desempenho dos candidatos no debate ganha relevância especialmente pela proximidade da votação deste domingo (25) e pela importância dos eleitores que ainda não consolidaram sua escolha.
A análise de Lavareda aponta vantagem de Lula no desempenho geral, sobretudo pela recuperação ao longo do programa e pela capacidade de explorar temas sociais e episódios que colocaram o adversário na defensiva.
As notas, porém, representam uma avaliação qualitativa do cientista político e não uma pesquisa de intenção de voto. Portanto, não permitem medir diretamente quantos eleitores indecisos mudaram de posição após o confronto.
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